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Dias de vidro

Abril 8, 2011

Dias de vidro. De transparência, contendo, no entanto, o que, invisível, a enche, até à borda. Sim, dessa limpidez que, natural e igualmente, se embacia, com o frio, por vezes glacial, que cresce dentro, e o bafo quente, por vezes infernal, que vem de fora. Dias de vidro. De temperança temperados até à inércia da dureza, versátil e aparente. Sim, dessa erecta quase imunidade a destemperanças atiradas como pedras – que, quando muito, ao vandalismo de projécteis que razões insensíveis legitimam, opõe, ou não expõe … senão uma levíssima teia de fissuras. Dias de vidro. De impermeabilidade ao que os impregna, absurdamente, de vazio… desse vazio que um toque, em dedilhado equívoco de um sentido ausente, converte, aos ouvidos, em música cristalina. Dias de vidro. Que a noite esconde ao revelá-los frágeis, afinal – e quebra, no silêncio.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Imagem de Aimea)

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