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Passagem de agora

Junho 6, 2009

ReversedTransparencies3
Nem é um limbo. É uma pedra, e às vezes uma flor. Uma flor com algo de pedra, rompendo de alturas como terra com algo de nuvem. Passo-lhe os olhos, quando ela me passa na queda. Nem somos uma, nem ela é a dualidade em que me torno, quando me faço voz que se perde ao encontrar o momento. Por isso não nos vêem, mesmo quando passam por onde nos esculpiram horas de chuva, e não nos ouvem, mesmo quando cantamos nos beirais onde os pássaros nos depõem como passagens suas. Nuas. Albergam-se-nos letras no sentido em branco do que talvez tenham sido pétalas atiradas como quem semeava caminhos de silêncio, rangendo sob estrofes como pés com rumos íntimos. E advimos como uma espécie de promessa nunca feita, mas cumprida com a simplicidade do que é fortuito. Curvam-se assombros, fugazes como alheamentos invertidos, à nossa superfície. Reconhecemo-nos, então, nesse reflexo que não o é, e que interpreta, em síntese, o que, de nós, não é senão a cristalização do que já fomos. Ou não. E reintegra-se-nos o ser na orla do nada, ou do tudo em suspensão. Nem é um limbo. É uma flor, e às vezes uma pedra. E, às vezes, eu, queda, e, no entanto, sulcando a luz, à velocidade da sombra.

– Texto e imagem © 2009 Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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7 comentários leave one →
  1. Junho 9, 2009 10:18 am

    à velocidade da sombra. como todos nós, sem que nos apercebamos.

    um grande beijinho, minha amiga
    jorge

  2. Maria João Oliveira permalink
    Junho 9, 2009 10:32 am

    Teste

  3. Alexandra Oliveira permalink*
    Junho 9, 2009 11:58 am

    As tuas passagens são sempre de luz, querido amigo – e estás sempre presente mesmo nas ausências do meu agora… aqui.
    Grandes beijinhos também para ti,
    Alexandra

  4. Alexandra Oliveira permalink*
    Junho 9, 2009 11:58 am

    O teste foi bem recebido, querida amiga! :0)
    Beijocas,
    Alexandra

  5. Maria João Oliveira permalink
    Junho 11, 2009 1:25 am

    “(…) E, às vezes, eu, queda, e, no entanto, sulcando a luz, à velocidade da sombra”.
    Amiga, é sempre bela a sua passagem do silêncio à palavra. É desta água que eu tenho sede. A minha “ausência” já tinha musgo, mas a sede serviu-me sempre de guia, até aqui, diariamente. Afinal, foi possível vencer a barreira do “e-mail inválido”! Agora era preciso que o tempo, e não só… me deixassem “afinar o afinal”.:0)É muito bom sair da sombra (sufocante, por vezes…) e, de um momento para o outro, dar de caras com a luz. Obrigada, querida amiga!

    Abraço
    Maria João Oliveira

  6. Alexandra Oliveira permalink*
    Junho 14, 2009 9:05 am

    Maria João, realmente a “barreira” era incompreensível… e fico feliz que, finalmente, a tenha ultrapassado! :0) É muito bom receber, em plena luz, a luz das suas palavras, e, já sabe, é sempre bem-vinda a este espaço “que respira”, porque tem vida própria, mesmo quando eu ando a respirar por outroa espaços da vida… ;0)
    Um beijo, e, mais uma vez, obrigada!
    Alexandra

  7. Novembro 23, 2016 3:31 pm

    Gostei da parte “E advimos como uma espécie de promessa nunca feita, mas cumprida com a simplicidade do que é fortuito.”
    Continue escrevendo. Tem muita qualidade no que escreve.

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