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Escrito sem acaso

Abril 22, 2009

air Às vezes, limito-me a colher paragens no tempo de semeados poemas ao acaso nem sei de quê. Não de mim, mesmo quando não consigo ver, no tronco que cresceu muito para além do entalhe, essa criptografia de causa e consequência que, nada tendo a ver com o senso, é todo o senso de acasos nenhuns rompendo a terra e tacteando o hiato, entre verde e maduro, que só por inércia e nossa ausência – ou excesso – de chuva, deixamos apodrecer no ar. Paragens… mas porque corre, então, a paisagem, enquanto eu fico onde se me vão os olhos, num ocidente de cobiça já cheio de estrelas a oriente de uma submissão que, se bem a conheço, cai de cansaço muito antes de cair… cair, não… chegar ao mar? Chegar ao mar… mas a subir o rio, e sem dar uma única braçada que me leve à nascente e a mais uma colheita de tempo parado em poemas, no topo do voo de não sei que ave, com todas as folhas e todas as cores de Outonos passados por Primaveras no bico… e pousada ao acaso. Não de mim. Do Inverno que já saiu do mar do Verão, onde, sem submissão à vista, mas cansada de ter semeado tanta cobiça de um tempo de poemas corredios, mesmo assim, não me deixo cair. Fico assim, como estou. Suspensa nas linhas do que, às vezes, me limito a colher… porque, quando o entalhei na árvore, era… não o acaso, não… mas a consequência da causa: Esta fome… ou será sede… de escrever.

– Copyright imagem “Air” (giclée) & texto © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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Outras “(Geo)grafias Inerentes”

4 comentários leave one →
  1. Abril 22, 2009 11:57 am

    a fome que deita e que expele
    a fome que cresce e que retira
    a fome que humedece e acalenta
    .
    .
    .

    os dedos

    um grande beijinho
    jorge

  2. Abril 23, 2009 10:28 am

    Será “sede de escrever” entón.
    E será tamén cousa da primaveira, que nos alporiza non somente o sangue; senón tamén o ánimo e o xeito de o ver…

    (Asegúroche, vecinha, que o post que acabo de escribir parino antes de ler este teu. Non me atrevo a dicir que son irmáns; pero de seguro que algún parentesco tenhen…; non o cres ti?).

    Beijos dende este lado da raia

  3. Abril 28, 2009 11:00 pm

    Caramba, muito legal esse blog!

    Vou adicionar nos meus favoritos do iGoogle :D

    Abraços,

    Juanna
    mega-sena

  4. Maio 10, 2009 10:16 am

    Cara vizinha:

    Ainda que percíbo-te moi atarefada noutras lerias; eu venho hoxe para convidarte a que participes no Sorteo da estadía dunha fin de semana nunha das 6 casas Rurais galegas que se ofrecen a participar nesta leria.
    Asemade, pídoche que o difundas entre os teus lectores para que participen tamén.
    O xeito de participar é moito simple: ven botar unha ollada ao meu blog e verás como.

    Mentras tanto…beijos sem sorteios

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