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Pesos (de certas levezas)

Fevereiro 6, 2009

(O meu texto nº 100 neste caderno)

E então há todo aquele peso de dizer o tropel de palavras leves como o que já passou, e mais um vento de mais um dia apagou da poeira. O peso de dizer a cor do sangue das pegadas que a leveza reescreveu na ausência de cor do ar que entra pelas narinas, mas sai dos lábios com a densidade da espuma, que se quer voada de ondas e é, afinal, o suor do galope ainda colado às ilhargas, aos membros, e à forma arquejante na memória do chão. O peso de não ser nem cavalo, fugindo da morte pelo fogo que encontra ao buscar a morte da sede, nem água que vive na erva onde morre a fome do cavalo. A leveza de palavras que se escrevem e nada dizem do peso insustentável de ser… nada; como um poema ou um tropel que já passou, e mais um vento de mais um dia apaga da memória da poeira, que não da página, ou do sangue escorrendo ainda das narinas para os lábios onde o ar não entra, da forma nua, com a alma coberta de suor, que galopava em metáfora de vida; mas morreu na onda em que a ausência de si, nas cores de outras metáforas, a reescreveu e afogou.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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