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Coisas de poetas

Janeiro 27, 2009

muse_iquered O fogo pode ser verde e ver, arder como olhos. Os cavalos podem ser azuis, e o céu um pasto a preto e branco, com sonhos vermelhos em destaque, parecidos com papoilas que ganham asas amarelas, de repente; e arrebatam um sol para dentro de uma lua que começa, em sépia, em nuvens polpudas como laranjas. A pele pode ter marés, e o mar pernas, em volta das ancas da areia, com barcos varados ao cair do beijo nos seios; porque o vento pode ter boca e as algas serem dedos tocando prelúdios para orgasmo e gaivotas em sexos de espuma. E uma guitarra pode ser a musa no chão, com o poeta em concerto, dentro. Depois, o poema pode ser, todo ele, um despir de acordes cor de carne quente. Uma página que se come, e que rebenta em mais e mais cerejeiras, até assomar à janela de almas bem maduras. Por onde se pode ver arder um fogo verde como olhos nuns olhos azuis como cavalos soltos. É mais um livro que se inventa, rasgado de absurdos sem nada de científico. Um livro perfeito de respiração exacta, sem provas, mas em provas de cor onde a verdade é daltónica e o ar é o absoluto sensível.

(Não entendem? Perguntem ao poeta; e ele há-de pintar-vos, sim, borboletas com letras em voo inteligível, e rosas cinzentas, cor de chuva, sob uma chuva que, de cor-de-rosa, inesperadamente, pode alagar tudo, a tempo do epílogo.)

– Imagem (“mixed media” da autoria de Alexandra Oliveira a partir de uma fotografia da série “Muse_Ique”© Joseph Sherman) e texto – © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

© Copyright – favor ler

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2 comentários leave one →
  1. Janeiro 28, 2009 11:32 am

    é um poema tão bonito, amiga!!! e as tuas palavras alagam tudo, alagam a vida, ala(r)gam o nosso coração.

    e já vi que puseste aqui o jogo! o aquilino ribeiro é um sortudo!!!

    um grande beijinho
    jorge

  2. alexandraonelight permalink*
    Janeiro 29, 2009 5:43 pm

    (eu é que sou uma sortuda, por ter amigos como tu!)

    quanto a este poema, já tem um “tempinho”… mas sinto-o sempre como actual, e deu-me um gozo imenso escrevê-lo. fico muito feliz que tenhas gostado!

    grandes beijocas,
    Alexandra

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