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Do vento e anémonas vermelhas

Janeiro 18, 2009

Prendeu-se à garganta do vento um soluço de anémonas estranhas e salgadas, numa ensopada secura de vermelho que lentamente coagula.

Nem o mar as soltou, nem adornaram as suas pétalas sangradas dores humanas em face de deuses, ou sequer ecoaram submersas mortes de olímpicas cidades na areia volvida tumba de corolas vivas entre dedos abertos e lábios cerrados em nevoeiro.

Foi preciso que, de entre duas valvas cálidas de mil nacarados desejos, ousasse erguer-se um súbito bater de pálpebras, e que o vento dele sorvesse abertos dons enrubescidos e prometidos em trémulos de um aguado porém candente verde, para que, num sopro só, fluísse todo um jardim mais que divino, e toda a amplitude de um céu rasgado se difundisse quente, em aurora de pele e lustre de afago, sobre um ateado fundo de choro, latejado, ardente, e solto, enfim.

Vermelho, o vulto poente de uma gesta, sem deuses mas com anémonas, deitada num abraço escrito numa dessas sombras que o sol desenha, ao mergulhar.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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2 comentários leave one →
  1. Janeiro 18, 2009 7:06 pm

    amiga, tens um prémio pa ti no meu blog

    uma joca
    jorge

  2. alexandraonelight permalink*
    Janeiro 19, 2009 11:30 am

    és um querido! muito e muito obrigada!
    grandes beijocas,
    Alexandra

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