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A desolada arquitectura da ira

Janeiro 8, 2009

(ou o pombal em ruínas)

Como penas, duras de poeira, de uma ombreira sem uso, o tempo pende dos olhais do pombal onde asas, e alados desígnios, deviam estar. Através de teias, olhares irados condenam visões à imobilidade; e ontem cola-se, indelével como sangue de um tiro na alma, com laivos de ódio, como excrementos, à pedra e à pele. O ar e hoje abatem-se, e o pensamento rui, juncando o chão de voos que nunca mais serão. E ali, onde vida e saída se enrodilham e definham, famintas, no fedor acre do amanhã renegado, prospera a desolação; implacavelmente alimentada, às mãos-cheias; como milho que, insistentemente, se atira a pombas já mortas.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

Outras “(Social)mente cônscia(s)”

3 comentários leave one →
  1. Janeiro 13, 2009 4:50 pm

    ou por qué nao; os tempos que forom e já nao estam.

    …assim voa o pano da nossa sorte (a pele que já nao é tao vistosa)

  2. alexandraonelight permalink*
    Janeiro 15, 2009 9:59 am

    sim, porque não; a ira decorre a par, muitas vezes, com o ressentimento, e agarram-se à pele e bem mais fundo. “as pombas” – desde sempre símbolos de paz – deixam, assim, de voar… e o tempo pende do umbral da vida “como uma porta sem uso”. obrigada pela tua leitura, Manuel, e um grande abraço!
    Alexandra

  3. alexandraonelight permalink*
    Janeiro 16, 2009 9:58 am

    Transcrevo, com grande emoção e um muito obrigada sentido, o seguinte comentário, que, ao traduzir o(s) efeito(s) operado(s) no(s) espaço(s) mais íntimo(s) da leitora, nas suas próprias palavras, se torna num factor de inegável enriquecimento do meu texto:

    “A desolada arquitectura da ira” ou …o Poder de uma escrita que já não dispenso:

    “(…) O ar e hoje abatem-se, e o pensamento rui, juncando o chão de voos que nunca mais serão (…)” – Alexandra Oliveira, in “Cadernos de Exercícios & Outras Facetas em
    Movimento” (8/01/09)

    Hoje “embrulhei-me” num texto que li, avidamente, e o seu calor chegou-me à raiz da alma. As suas entranhas, em revolta, emocionaram-me. As suas palavras desabaram sobre mim como cascatas de luz e mostraram como é possível ir longe, quando se vai por onde não há estrada e se rasgam caminhos novos. Há textos que ficam, de imediato, impressos na lâmina fotográfica do meu espírito e se transformam em tesouros que se acumulam e aos quais recorro, para me abastecer de sol ou saborear como pão, em dias magros de sonho. Obrigada, Alexandra Oliveira!

    Maria João Oliveira (em “Amante das Leituras”)

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