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Prefácio de infinito

Dezembro 20, 2008

Por um momento, considero a força calma, subtil, e contudo, incontornável, nos teus olhos que seguem essa enigmática vereda de recolhimento dirigida à origem da criação, como contemplaria, talvez, um oceano inteiro, principiando a formar-se numa pitada húmida de sal que atravessou o ar das eras, e, portanto, o sopro de deuses remotos e sem nome, para vir pousar, suavemente, na mão naturalmente aberta de um confiado, e no entanto bem corpóreo crente, em sonhos que se tornam realidades porque são tangíveis, e não só na pele. Este momento guarda segredos que não são para se penetrarem mas sim para se sentirem e absorverem como, talvez, poderia sê-lo o começo de uma estrela, a primeira de miríades que hão-de eclodir ainda mais agregados de mais estrelas, e hão-de expandir a noção do nascimento de mais um universo, numa súbita claridade, maior que o sol, enchendo o céu. Então, o momento estremece, perceptivelmente, como uma folha prestes a volver todas as cores de todos os Verões em todas as plenitudes de todos os Outonos dourados e maduros para caírem da árvore do tempo, e a imponderável semente de uma eternidade de Primaveras é esta minúscula centelha, incendiando, de repente, uma vastidão de rebentos que irão, ainda, romper costuras de muitos Invernos que o teu olhar em transição engasta, em dádiva, no meu. E a consciência de infinito ainda pulsa, para lá do momento, quando os teus olhos se afastam, e todavia, permanecem como elementos fundamentais e últimos deste e de outros poemas incessantes, que a minha essência, prenha de ti, começa a escrever mesmo antes que as palavras se tornem imagens vivas, no papel.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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2 comentários leave one →
  1. José Gil permalink
    Dezembro 20, 2008 4:24 pm

    “começa a escrever mesmo antes ”

    o anúncio do tema da pele onde morrer e nascer um pouco.O poeta fala comigo,corpo-casa, tão longe do corpo.
    beijo

    José Gil

  2. alexandraonelight permalink*
    Dezembro 20, 2008 5:02 pm

    mas é isso, poeta. o corpo é a casa e a casa é o poema, que começa a construir-se, a gerar-se. depois, torna-se pele – ou, de novo, o corpo do poeta, nascido de si mesmo.
    beijo para ti,
    Alexandra

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