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Por amor

Dezembro 17, 2008

Chego-te tarde e a más horas. Ou de horas más embuçadas em cansaços densos, da cor das nuvens que já nem o céu quer vestir. Cansaços puxados para a testa, como biocos. Franzindo sobrolhos e pensamentos, com a sombra. O peso da sombra, franzindo a leveza das claridades, da lucidez, até quase ao impossível. Quase impossível ver por entre tanto vinco. Mas faltava o quase. E o quase tornou-se tempo de deixar o peso franzir-se completamente. foryou2Emergi dele em horas nuas, lisas. Macias como pele que acorda cedo, pelo prazer de continuar a sonhar como se o fizesse do princípio. Um princípio do que há-de ser, e já é, realmente, em branco e rosa. Com a doçura absurda – tão exacta – dos verdes ainda ácidos, e outros matizes que estremecem, longe de maduros. Tudo, e os lábios, e o sorriso, suavemente voados através de um ar de inocência. Esse feito prodigioso de olhos que foram sonhar com visões corruptas, corroídas, pesando-lhes, empurrando-os bem até ao chão da alma. Mas que, de tal alicerce, avante e arriba pestanejam – sonhos. Enovelados em casulos. Metamorfoseados. E depois, alados. Renascidos na sua essência. E na de respirarem como um primeiro rubor de absolvição. Que brota, simplesmente. Por amor.

Auto-retrato a pastel e texto – © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

© Copyright (Direitos de autor) – favor ler

4 comentários leave one →
  1. josegil permalink
    Dezembro 17, 2008 9:56 am

    excelente
    como um beijo de pele rapida e brava
    cito
    “Enovelados em casulos. Metamorfoseados. E depois, alados”

    beijo
    Santo Natal

  2. Dezembro 17, 2008 10:15 am

    Fermoso. A cada um; melhor.

    Abraços desde a Galiza.

  3. Dezembro 17, 2008 10:41 am

    sempre por amor.
    e sempre ao calor da alva

    um grande abraço daqui de sintra
    jorge

  4. alexandraonelight permalink*
    Dezembro 19, 2008 10:10 am

    bem-hajam todos, amigos. do coração, um grande abraço para as margens do Tejo, as brumas de além-Minho, e as alvas de Sintra, deste vale onde o rio “tem asas”.
    Alexandra

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