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Laços (com desplantes subversivos)

Dezembro 6, 2008

Caímos, devagar, eu e tu, nos laços em que nos seguramos; em equilíbrio, sustentados na destreza inconsciente de quem pouco se importa, ou nada; se acaso se sustém, retém, ou sobrevém. Porque não há acasos, nos laços, mas audácias; ou apenas infalibilidades que se provocam; ou desafiam; com desplantes de trapezista voador, que manda fechar a rede ao abrir dos braços como se fossem as asas que não, sabe que não tem; antes de voar; verdadeiramente voar, livre. Na segurança como na queda. Pouco nos importando se o chão se volve tecto, e se subverte a ascensão, ou inverte o pouso, que é o mesmo. Talvez por isso nos alcemos, depressa, tu e eu, nos laços que nos desprendem; e, em equilíbrio, pairemos – acaso neste espaço, sem acasos, em que os laços são, afinal, braços abertos que se invertem; sim, abraços; onde eu e tu subvertemos, com desplante, o que se fecha; o que fecha a infalibilidade dos laços nos laços que a tornam, esses sim, falível – ou, o que é o mesmo, na morte do trapezista; estrangulado… na rede.  

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados 

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3 comentários leave one →
  1. José Gil permalink
    Dezembro 8, 2008 7:31 pm

    De um poema prosa para outra prosa poética, sensivel como em latim – “O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa.”Ou de forma mais intensa neste texto de textura brilhante como toda a poesia da Alexandra – “Caímos, devagar, eu e tu, nos laços em que nos seguramos”De uma beleza única,talvez a maior poeta das listas em que colaboramos…mas havia vantagem em publicar tb nas listas, mais leitores que não se habituam aos Blogues, assim seriam duas hipótese de leitura…porque o que seduz na sua poesia é o prazer do leitor.

  2. José Gil permalink
    Dezembro 8, 2008 7:32 pm

    um poema excelente

  3. alexandraonelight permalink*
    Dezembro 10, 2008 10:54 am

    muito obrigada, Gil poeta. mas… (talvez) a maior poeta, não; uma, feliz por ser única… porque é como é e assim se escreve, ou deixa “escrever-se”. listas; bons espaços, comunidades, de boa poesia, boa prosa, boas tertúlias, boas inspirações. continuarei, uma vez por outra, a partilhar escritos nas listas, continuarei a frequentá-las, especialmente porque nelas estão bons amigos, para além dos bons poetas, dos bons escritores. mas eis os aspectos “menos bons” das listas: para participar, e, em algumas, mesmo para ler, é necessário ser-se membro, o que limita o acesso, ao que escrevemos, dos que nos querem ler… mas não querem fazer parte de listas ou fóruns; depois, há o aspecto, nem sempre positivo, a que chamo o da dispersão repetitiva; mesmo seleccionando, ou, como acabei por fazer há algum tempo, reduzindo o número de listas em que se participa, o que escrevemos acaba por ficar disperso na rede… e muitas vezes, de forma repetida, ou seja, os mesmos escritos repartidos por várias (ou duas, que sejam) listas. quanto aos blogues… tens razão, é um hábito; que, às vezes, se torna um vício; ou, às vezes, uma precisão… até, ou essencialmente, para quem o criou. neste momento, preciso do blogue… e já há quem se tenha habituado a lê-lo, assim alimentando o meu vício de escrever, e o prazer de o fazer (a tal volúpia).
    um beijo, poeta.
    Alexandra

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