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De pão, amor, e percepções – I

Novembro 1, 2008

Surge-me de uma inefável avidez esta imagem de mergulhar as mãos na vida como numa alvura de farinha, perfumada e sã. Deixar que até a alma se me polvilhe dessa brandura fértil, auspício de abundância, mitigada espera em promessa que a seu tempo se fará lêveda. Lêveda de sonhos, acrescentados gota a gota de água límpida, genuína, como a mais genuína das sedes que aquieta quando mana, simples, de rochedo agreste que ela própria fende, ou do silêncio fundo que, no entanto, pulsa com os ecos plenos de súplicas fluidas, em gratos retornos, de poços no chão. Lêveda, com sal de graça, o preciso, em desafogo de pitadas de lágrima e de riso, para que não cresça insípida a amassada fusão de alentos e fadigas que a alma vai crivando, em porções, que se revezam, do seu próprio fermento para o intento das mãos. Das mãos, que tendem o que se fará invólucro em substância mais ou menos estaladiça da sua mesma essência, côdea de tempo em miolo de alma, crosta que um fogo com mais ou menos ímpeto fará dourada ou calcinada ao envolver o seu mesmo âmago de ser transformação e alimento, ou desperdício. Das mãos, que esta inefável avidez me faz abrir, abrir, como quem se dá. Como quem se reparte em fornadas sem limites de saciadas fomes, para saborear em pão de cada dia, de olhos fechados mas de alma lêveda, com amor e ainda quentes, em absoluta paz.

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

5 comentários leave one →
  1. gdec permalink
    Novembro 1, 2008 4:08 pm

    Venho aqui para me refrescar, renovar, levedar como se fosse o seu pão.
    muito grato pelo que escreve
    Geraldes de Carvalho

  2. alexandraonelight permalink*
    Novembro 1, 2008 4:24 pm

    Sinto-me lisonjeada, amigo Geraldes de Carvalho. Assim fica o “meu pão” (o escrito) plenamente justificado.
    Grata, eu, com um beijo.
    Alexandra

  3. alexandraonelight permalink*
    Novembro 1, 2008 4:27 pm

    José Gil, um grande beijo, e um muito obrigada pelo destaque. Mas, se não te importas, vou movê-lo para o texto “Há dragões, para lá destas linhas”… pois é a essas linhas que o teu comentário faz referência! :0)
    Alexandra

  4. alexandraonelight permalink*
    Novembro 2, 2008 9:31 am

    e eu movo o comentário mais uma vez, do “Pão” para os dragões, ó bravo poeta distraído! :0)

  5. alexandraonelight permalink*
    Novembro 2, 2008 12:20 pm

    (os dois comentários que acima cito, e que o José Gil, por engano, deixou aqui, foram movidos para o texto a que se referiam, e que é o “Há dragões, para lá destas linhas”)
    Alexandra

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