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Sementes em jornada

Outubro 27, 2008

(Para o Joseph)

 



I

Contigo, meu Amor, o tempo torna-se irrelevante, e é a Vida que assume a importância de um curso de água – esse curso de água paradoxal, que tu próprio descreveste, como brotando do passado e fluindo para o futuro – por nós contido, solto, embebido e bebido, e também navegado – uma vez mais, tal como o definiste, num barco que é o presente. E penso, meu Amor, que nós próprios, tu e eu, somos esse rio e esse barco, mas somos também o mergulho nessa água, que sulcamos entre a nascente e o estuário, às vezes fluindo com a corrente, outras vezes nadando contra ela, e outras vezes, simplesmente, boiando – o que pode acontecer com a intermitente segurança de quem flutua e a desorientação de quem se sabe à deriva.

 

II

Sentados diante um do outro, somos também as partículas de uma energia que se agrega em formas, às vezes a tua, às vezes a minha, às vezes a nossa. És, então, a alma da minha pele, e eu o sangue nas veias da tua alma, e somos, os dois, um sopro único no espaço e instante dos lábios que se tocam. Dizes as palavras do meu silêncio, que entoa as modulações do teu próprio silêncio, em ecos de palavras. Captas a essência da luz nas minhas sombras, e elas, as minhas sombras, dançam a essência, em difusão, da tua luz. Projecto, então, as tuas sombras na minha claridade, e tu reinventas a minha ambiguidade na tua silhueta de nitidez. E tudo isto, este milagre, esta magia… ou talvez nada mais que esta natural, primordial inerência de ser, em simultâneo, contraste e complemento… só porque as pontas dos nossos dedos se tocam, ou nem isso… mas porque apenas afloramos essa dissolução de linhas demarcando horizontes entre céu e terra ou mar, na total proximidade da distância entre os teus e os meus olhos. “We rip the seam of sky…”

 

III

Uma flor num campo de flores. Não sei, meu Amor. Talvez a flor, às vezes, talvez o campo, outras vezes, possivelmente a terra e a semente esperando a chuva e aberta ao sol, para ser árvore de frutos. E, quantas vezes, o fruto, caído na terra, e sempre, a semente outra vez. Aberta à chuva, e esperando o sol.

 

IV

“Seed in darkness grows,
then it bursts into the light
~ Gasping for the sun.”

 

Também tu, a semente. Uma semente de fogo, irrompendo, do fundo da água, a terra – toda a terra, todas as florestas, ou só uma árvore e só uma flor brotando da árvore, para se tornar fruto. Mas sempre, e de novo, “gasping for the sun”… álacre, impaciente, ávida de ar e de luz. Sempre, e de novo, como semente germinando pela primeira vez. E… sim, meu Amor. Contigo, de ti, em ti, tudo germina, realmente, pela primeira vez… mesmo os frutos colhidos e saboreados em muitas estações. Germinam Primaveras em todos os teus Outonos, e és, portanto, semente de sol em todas e cada gota de chuva – ou centelha que, a um tempo, ejaculou toda a terra no útero do mar e a pariu, num grito de luz que alçou voo para lá do termo de todo o ar. Universos para além do visível… sim, em ti, e tu próprio semente da sua infinidade, meu Amor.

 

V

É Luz, sem dúvida. É Vida, certamente. É, para além de tudo, Amor. E é Sonho, em jornada de Sementes, que procuram, descobrem, plantam, colhem, vogam, chegam, partem de novo. Sementes que se expandem, e em tudo, são Elementos de um Todo… que germina sempre, realmente, pela primeira vez. Amo-te, Joseph, e ao que de ti germina na minha jornada, e amo o que de mim germina, na jornada das tuas sementes.

 

 

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

2 comentários leave one →
  1. Outubro 27, 2008 10:59 am

    que lindo, minha Amiga! Vocês são abençoados!

    um beijinho
    jorge

  2. alexandraonelight permalink*
    Outubro 27, 2008 11:13 am

    E que boa visita, amigo, logo pela manhã! É bom estarmos ao vivo e ao mesmo tempo, neste espaço (estava eu aqui, a publicar mais uns escritos, e tu aqui, a escrever sobre eles)!
    Uma óptima semana para ti, e um beijinho.
    Alexandra

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