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Nas mãos os olhos

Outubro 27, 2008

Olho às vezes as mãos como se não me pertencessem, numa estranha dissociação entre ideia e acto, entre desejo e toque, entre o esboço e o desenho. E tornamo-nos cúmplices, eu e elas, de autónomas que somos; elas cometendo ou omitindo, e eu voltando, então, o tal olhar para o outro lado, para esse algures entre o ar e eu e elas, onde lhes perdoo ou não; mas, porque as entendo como ao sentido palpável do que a razão jamais prenderá, sempre acoito entre os seios – onde o coração bate – para depois as libertar, e, em tal gesto, soltar-me, perdoada ou não, a mim. É estranho, também, como às vezes nos consumamos; elas traçam, de repente, em linhas lúcidas, o contorno dos meus desenhos cegos; e eu levo-as aos olhos, onde contemplam, pelo tacto, o âmago dos desenhos sem erro possível.

 

 

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

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