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Da impermanência que se esquece

Outubro 27, 2008

Talvez me lembrem ladrões, intrínsecos, do seu próprio espaço, esvaziado a sacos cheios do afã de se perceberem plenos e perpétuos. Talvez me lembrem apegos surdos de língua a palavras, caídas, como caliça, de paredes como juízes mudos, com o gosto nu, frio, e intransponível, da total indiferença dos ecos. Talvez, por contraste, me lembrem condenados e, simultaneamente, carcereiros do tempo; como portas que se teimam inabaláveis, e que, mesmo perante todos os escombros, óbvios, logo contornáveis, de todas as paredes acidentais, se trancam a sete crenças, com a pertinácia crispada, fútil, de todos os dedos cegos. Talvez me lembrem, afinal, esquecimentos; como esperas com o cheiro apodrecido do que não, não há-de ressuscitar, nem ao terceiro nem ao milionésimo dia. E, talvez por isso, me lembrem da impermanência que se esquece; como uma alforria que, por sentença à eternidade, se deixou, lentamente, morrer atrás do corpo.

 

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

2 comentários leave one →
  1. Outubro 27, 2008 10:54 am

    morremos sempre atrás do corpo. ou através dele.

    ou depois dele.

    um beijinho
    jorge

  2. alexandraonelight permalink*
    Outubro 27, 2008 11:17 am

    Reconheces aqui a leitura e a interiorização de Sogyal Rinpoche? Eu sei que sim, no corpo que morre, mas a vida não!
    Um beijo grande, querido amigo.
    Alexandra

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