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Pantha rhéi

Outubro 24, 2008

Começam a esboçar-se arquitecturas que talvez remotamente futurasse, ogivais e cor de pombo, ao fundo de um claustro de voos recolhidos e ecos sabidos de arrulhos, de matinas lançadas às mãos cheias de migalhas.

 

Por elas passo sem passar, quietamente, olhando-as como a esquadrias traçadas sobre o peito, e ouvindo, ao fundo das tangentes entre sino e dobra de hábito, o sopro iniludível de outras cores, ressumando das rosáceas.

 

E alimento-as, ao romper do silêncio em que me coso e esbato para que elas rompam e procriem, claras.

 

Abençoo-as, em nome da pedra, do sonho, e do afago santo. Venturas ao alto! As nossas construções estão no tempo, e, à nossa imagem, decorrem, como deus.

 

 

 

Nota: “Pantha Rhéi” – “Tudo flui”.
(Conceito filosófico de Heraclito de Éfeso)

 

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

2 comentários leave one →
  1. gdec permalink
    Outubro 24, 2008 6:52 pm

    Minha cara Alexandra
    Está tudo mudado . Os prosadores escrevem em verso -mal
    V., poeta, escreve em prosa -muito bem.
    Quando entrará a ordem …nisto-nesta coisa- ?
    Agradeço muito a sua visita ao meu blog . É claro que só me orgulhará -não repare na palavra que é feia, quando se olha – que o ligue a este, belo, seu .
    Também gosto muito das fotos mas creio que vou tirá-las -do blog, entenda-se. Desde que as coloquei lá nunca mais ligaram aos meus poemazinhos. Bem deixemo-nos de modéstias falsas : poemas é o que são.
    beijo
    Geraldes de Carvalho

  2. alexandraonelight permalink*
    Outubro 27, 2008 9:31 am

    Mais uma vez, obrigada, caríssimo poeta. Suponho que há de tudo um pouco – escreve-se muito, muito mal, e muito bem… e lê-se muito pouco, sobretudo do que muito bem se escreve! :0) E haverá sempre bons poetas e bons prosadores, e poetas em prosa e prosadores em poesia (ah, este género ambíguo, ainda hoje controverso, amado e odiado na mesma proporção, que “nasceu” de Aloysius Bertrand e do seu “Gaspard de la Nuit”, já há 150 anos… e continua jovem e rebelde!) na intemporalidade do tempo da escrita e da leitura!
    Foi com orgulho bonito e bom que já liguei o seu espaço de boa e bela poesia (da qual é bom e justo, além de belo, que se orgulhe)a este meu, de ecléticas e mutáveis escritas. E tem razão; modéstias falsas são tão más e feias como a arrogância e a soberba… ou seja, aqueles contextos em que o orgulho se torna numa “palavra feia”! :0)
    Um beijo grato,
    Alexandra

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