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II – No chão, ou da candura do despudor

Outubro 22, 2008

“Um outro dia a chuva dissipa a tua terra
produz o cristal da folha, a pele…” – (José Gil – em “exercício sobre exercício”)

No chão, como uma folha despida de árvore; decanto, em ocre, provocações safadas, sim, laivadas do verde impúdico de todas as purezas expostas. Descarado, o riso, o meu, que estala como se o fizesse sob pés inadvertidos; e aberto, como um corpo. O meu, o meu; com a mesma virginal imodéstia de quando estalas e te fendes na minha pele, com o nexo perdido de chuva que volta a ser, apenas, água. Água, como um corpo, o teu, o teu. No chão; num desafio, junto à árvore que, lentamente, te despe. Como se te risses; risses, de pés desatentos que te espargissem e devolvessem à transparência de gota. No chão; eu, tu, como corpos. De repente sublimados; quando, num golpe de vento safado, sim, com todo o despudor da mais absoluta candura, o chão nos despe.

© Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

4 comentários leave one →
  1. gdec permalink
    Outubro 22, 2008 2:36 pm

    Tudo quanto escreve é bom -embora eu goste mais do que é virgulado- (Coisas de velho…).
    Geraldes de Carvalho

  2. alexandraonelight permalink*
    Outubro 22, 2008 3:22 pm

    Caro Geraldes,
    Só posso agradecer, e muito. Fico feliz que goste daquilo que escrevo. Quanto ao preferir textos com pontuação… garanto-lhe que isso nada tem a ver com a “idade” (que, já de si, é uma coisa perfeitamente subjectiva):-); tenho recebido, de diferentes leitores, manifestações diversas a esse respeito, e são muitos os que também preferem textos não só pontuados, como divididos em parágrafos. Eu mesma – que raramente o fazia até há bem pouco tempo – tenho vindo a sentir a necessidade de usar pontuação nos meus textos… e, sentindo que assim se lêm melhor, leio-me melhor neles, também, assim.
    Muito obrigada pela sua visita (que espero se repita muitas vezes), e um grande abraço.
    Alexandra

  3. Outubro 23, 2008 10:51 am

    a raíz – aqui entre os corpos.

    toda a Poesia está aqui.

    um beijinho
    jorge

  4. alexandraonelight permalink*
    Outubro 24, 2008 11:42 am

    Jorge,
    A raíz, as folhas, o chão, e os corpos – um só, sublimado. Como é bom que assim leias e gostes!
    Beijinhos,
    Alexandra – a Elemental ;0)

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