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I – Do caminho que não há

Outubro 20, 2008

Não, não sabes o caminho para aqui; para aqui não há caminho, nem sequer chegada. Há apenas, e é demais, um peito; o meu, à partida, fechado aqui. Deambulo como uma floresta em torno de passos perdidos. Conto incontáveis, presos cabelos soltos em ramos que arquejam, no esforço de não serem mais nem menos que acessórios, em tudo, e contudo, intrínsecos; sim, às árvores, como a tudo isto que pouco me importa que sussurre e se vista ou dispa de folhas, acima da minha testa. Não, não sei o caminho para fora daqui; para fora daqui não há caminho, nem sequer um rio. E no entanto, corro; corro para dentro, cada vez mais parada. Pasmada; sim, os olhos como água, dessa que sempre pintam nas clareiras, com o desplante das fantasias parvas e tridimensionais. Se soubessem o caminho para além daqui, saberiam que, além, não há dimensões; mas, daqui, não há caminho. Há apenas, e é de menos, espaço para encher de quanto vazio vier à boca ou aos dedos, surdos de tanto afastar cores de um irrealismo infinitamente mais bruto do que um coro de berros acromáticos, devolvido por silêncios já roxos. Entendes? Não; não há caminho, aqui, onde se tropeça na claridade de todas as ausências e onde qualquer encruzilhada é mais uma figura de estilo, tão descabida no contexto que, galgada, em si mesma se dirime e resolve. Irreversivelmente, ao fim do princípio do caminho que não há.

 

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

 

 

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