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O movimento do(s) espaço(s)

* AGORA:
Faz-se, mais do que o faço, ao seu próprio ritmo, o meu "estar" neste Caderno. Um "estar" em movimento. Ou o movimento, não premeditado, natural, de "estar". Bom, seja o que... é, agora!

* OUTRAS COISAS EM QUIETO MOVIMENTO:
Entretanto, há, num outro espaço, traços de uma outra faceta. Alguns desses traços andam por aqui, à solta entre as palavras; outros... podem continuar a descobri-los, também soltos, em ArtFacets®.

Com beijos que respiram,

Alexandra

O Rasgar da Luz

Julho 10, 2016

rasgar da luz

Não ouvem o rasgar da luz. Nem o resvalar, para a vereda continuada, dos farrapos. Surdamente, deduzem, apenas, as claridades certas, e as penumbras normais, que se alternam no paradigma vivo dos arvoredos reais – enquanto ouvem tilintar cintilações em bosques que vêem… de asas de fadas. Talvez por isso não vejam. A sombra plena que emergiu, com fragor definido, de contornos perfeitos, nua, e de pé. Na vereda continuada onde caíram, sem que os ouvissem, os farrapos da luz.

© 2016 – Alexandra *

(Imagem: Fragmento de “Piano Concerto” © Joseph* & Alexandra* ~ OneLight®)

 

EM PAZ…

Agosto 26, 2012

Tentava, mais uma vez, contemplar, da perspectiva de outrem, algo que, contemplado da sua perspectiva, não entendia: Porque é que o medo levava certas pessoas a culparem e a atacarem tudo e todos à sua volta – e porque é que insistiam em arrastar esses outros, que culpavam e atacavam, para dentro do medo que era, apenas, delas. Procurava, da sua perspectiva, sentir compaixão por quem se entregava a esse voluntário aprisionamento – enquanto se recusava, porém, a deixar-se aprisionar por essa perspectiva que não, não era, não era, de todo, a sua. Respirando fundo. Sentindo vontade de ceder à tentação de mandar essas perspectivas de outrem exactamente onde lhe apetecia, subitamente sem compaixão ou contemplações algumas, mandar esse outrem – com todos os seus medos jamais resolvidos, porque jamais enterrados onde, e com o que, e com quem, já há muito estava enterrado e decomposto; todos esses medos transformando em arremedos de violência, em agressividade, o que não era senão cobardia. Respirando ainda mais fundo. E considerando, de súbito, que tudo aquilo era, afinal e apenas, patético. Patético, aquele medo de fantasmas – sim, de mortos, sejam eles criaturas ou contextos, que, porque se não consentem mortos, se volvem isso mesmo… fantasmas, perpetuamente tresmalhados da sua condição de não existentes. E encontrando, subitamente também, a compaixão que antes procurara e perdera. Pelos mortos, e pelos vivos. Que estes alcançassem, concedendo-a àqueles ao reconhecerem-na realizável em si mesmos, a paz. Essa paz que – da sua perspectiva – talvez não fosse senão o oposto do medo; ou a aceitação dele, encarado e assumido como coisa nossa – para fora da qual só nós podemos, afinal, dirigir-nos. E respirou fundo, ainda mais uma vez. Afinal, aquele medo não era coisa sua – não precisava, sequer, de se dirigir para fora dele. E foi, porque estava, em paz.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Imagem © de Fernando Figueiredo)

LUGARES QUE NÃO SE SABEM

Agosto 19, 2012

Não lhe perguntassem onde era esse lugar. Nem saberia, e menos ainda quereria dizer. Há lugares, tal como há coisas, que não se dizem, mesmo que se saibam. Sabia, apenas, que voltara lá – ou que se reconhecera lá, mais uma vez, e reconhecera tudo aquilo… estranhamente, como um regresso a algures de onde, não obstante, nunca saíra. Reconhecera-se na vereda e no musgo, nos espaços entre as árvores e as sombras, nas pedras e no soajo, nas pegadas adiante do eco do resfolegar do cavalo, a passo entre o sol e a bruma. Reconhecera-se nos corvos, cujo crocitar não era senão a réplica perfeita do silêncio perfeito – o silêncio que não se teme, porque é habitado como a solidão que, por ser abundante de vida, de sopros escondidos e outros não, mas que não se sabem, não se receia, e menos se evita. Reconhecera-se… sim, nessa abundância, ou talvez, mais ainda, na sua subtileza, opulenta, acima de tudo, de quietude – dessa quietude que a tal vida, livre, natural, com todos os seus timbres, com todos os seus bafos, com todas as suas asas, e verdes, e água e terra acasaladas, não suspende… antes, consuma. Não lhe perguntassem onde era esse lugar, e porque se escondia da vista dos que estavam, afinal, tão perto dele como ela – que bem os via, de lá… de onde se reconhecia tão próxima de tudo o que eles asseveravam tão distante que talvez nem existisse. Há lugares, tal como há coisas, que não se sabem, mesmo que se digam. Diria, apenas, que voltara de lá. E que… havia lá muito mais coisas, e que ela se reconhecera, nesse lugar que não se sabia.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Pintura © Rene Magritte)

ÁRVORE IMPERFEITA

Agosto 18, 2012

De manhã, muito cedo, percorri trilhos suspensos entre medos, fantasmas, rancores, e afiançadas crenças em inferioridades e superioridades de outras crenças afiançadas. Não procurei nenhum dos intentos ou fins por ali perdidos, mas encontrei-os deglutidos pelo embuste das luzes artificiais com que se obstruem noites, para se obstruírem quietudes que consomem quietudes. Sim, que a noite, genuína, é glabra – e retorna, glabros, os desassossegos de quem os evade evadindo-se de si mesmo… por saber-se nu, e, afinal, imperfeito. Como é, afinal, glabra, a manhã – porque se veste, apenas, de si própria. E foi nessa claridade, tão nua como o que nasce, que me detive. E arredei os trilhos suspensos como quem afasta véus, como quem despe o que lhe não serve, mesmo que nada mais tenha para se cobrir. O meu trilho é glabro, tal como as noites sem embustes de luzes artificiais, tal como as manhãs, antes do enredo em vestes que não nos servem, nem tapam os medos, os fantasmas, os rancores, e… sim, as incertezas dos que, envergando-as, se afiançam certos. O meu trilho é glabro… ou talvez vestido, simplesmente, de árvores. Árvores que são árvores, na quietude da noite, na claridade da manhã – árvores vestidas, apenas, de si próprias. E eu… sabendo que nasci assim, como elas, vestida apenas de mim própria; sabendo que talvez não tenha mais nada para me cobrir – mas de bem com isto: de bem com a árvore imperfeita que, afinal, sou, vestindo o meu trilho.

– © Alexandra Oliveira (OneLight* ®)
(Imagem © de “Pedro”)

RECONCILIAÇÃO

Julho 1, 2012

Aos poucos, ia-se reconciliando com o que a mágoa a fizera rejeitar, e passar a olhar de soslaio e de sobrolho franzido, tão agastada com essas coisas que não tinham culpa nenhuma, como com a consciência da sua própria puerilidade. Mas, aos poucos, ia-se reconciliando. Mais sopro a sopro do que gota a gota. Mais sorvo a sorvo de azuis e verdes, que curiosamente lhe devolviam, transfiguradas na retina, memórias de cheiros repentinos a fruta fresca e a pães-de -leite ainda mornos, em manhãs de Verão, do que passo a passo ao longo de uma vereda qualquer de pensamentos e lembranças pendurados no sol e balançando no vento. Começara por se reconciliar com as rolas, que tinham voltado a ser, simplesmente, rolas, voando e arrulhando as suas vidas naturais – e não mais os ecos daquela palavra que se forja a si própria apenas nos ouvidos de quem a sente, e que tornava os arrulhos em… “angústia… angústia… angústia…” Depois, tinham sido as gaivotas. E no cenário mais improvável – precisamente no que, de repente, deixara de ser o cenário de uma morte, para se tornar no quadro plausível de muitas curas, pintadas a branco e, mais uma vez, a azul, em jorros de água e de céu limpo. Da garganta, tinham-lhe jorrado, até, em risos livres como elas, nomes talvez ridículos, mas que as tinham tornado cúmplices, a ela e a duas das tais gaivotas: Pia Nona e Pompília, vá lá saber-se porquê! A seguir àquilo, respirara fundo, pelos olhos fechados mas pelos braços abertos e o cabelo solto, achando essa espécie de estapafúrdio transplante absolutamente natural e, para além do mais, divertido. Lembrou-se, no olfacto, e talvez mesmo no tacto, de uma frase de um certo livro de um certo autor Brasileiro: “Deixa ela ir com as arraias…” – E “ela” desdobrou-se em si mesma, em dor, e em outra que se fora… e todas mergulharam e montaram no voo subaquático das raias, rumo à quietude que prenuncia, em cada fim, um recomeço. E, quando deu por si, estava, já, na consciência da reconciliação. Aos poucos. Sim… agora percebia que, um dia, ainda havia de voltar a gostar do mar!

– © Alexandra Oliveira (OneLight* ®)
(Aguarela de Catherine G McElroy)

Caminho (Alexandrismo)

Dezembro 30, 2011

Não há caminhos fáceis que não tenham os seus trechos difíceis. Mas, fáceis ou difíceis, se são caminhos, são para se percorrerem. Com paragens aqui e além – porque é preciso descansar, mas também apreciar, tomar consciência dos aspectos que tornam cada trecho do caminho diferente, e, muitas vezes, único e irrepetível, ou repetível apenas na memória dos passos dados… que, se for activa, nos ajudará nos passos presentes, mas, se for passiva, eternizará a nossa paragem. E, se é caminho, é para se continuar.

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

Imagem: Pintura Chinesa – Autor Desconhecido

Diz, floresce… (Alexandrismo)

Dezembro 11, 2011

Diz, floresce… porque regas o NÃO, com tal zelo, e te matas de sede? Porque bebes, apenas, o pó, a aridez do solo de tantos outros NÃO, NÃO, e NÃO, enquanto, dentro de ti, flui, ignorado, um manancial inesgotável e esperam, insondadas, desatendidas, todas as sementes? Diz, floresce… basta um SIM… o teu!

– © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Imagem de autor desconhecido)