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Ensaios (sempre) Inacabados I

Novembro 8, 2011

De repente – é sempre de repente que estas coisas acontecem – um vislumbre. Um reflexo, ou uma lembrança para além do tempo e do espaço, ou talvez um indício. Não importa o sinónimo. Importa o vislumbre, que foi de “Deus”. Dêem-lhe outro nome, se quiserem, não lhe dêem nome algum, se preferirem. O nome também não importa. E não sei se importa a alguém, este vislumbre, que foi meu, mas não é meu, pois nisto não há… propriedade, à falta de uma palavra melhor. Esqueçam tudo, excepto o vislumbre. Que ficou a reverberar, com tanto de luz como de som, num espaço ou estado de obscuridade e de silêncio… e depois apagou-se, ou calou-se, ou ambos, mas… permanece nesse estado, ou espaço.
Nunca acreditei no conceito da criação do homem à própria imagem de “Deus” – se é que se trata de uma questão de crença… o que não me parece. Talvez seja mais um sentimento, ou uma consciência… que não me deixam interiorizar este conceito, como se, de algures, não sei de onde, talvez do nada de onde tudo surge e vice-versa, algo me “dissesse” que este conceito não é correcto. Sinto que terá sido, antes, o homem que criou “Deus” à sua própria imagem, talvez por impossibilidade de conceptualizar algo que não tem forma nem dimensão definíveis, e apenas É, sem utilizar um, digamos, exemplo conhecido e palpável. Mais uma vez, porém, isto não importa, e mais uma vez, importa-me, sim, o vislumbre.
O vislumbre foi – e permanece – de que, quanto mais tentamos definir “Deus”, “departamentando-o”, fragmentando-o, e quanto mais “o” procuramos, fora ou dentro de nós, humanos – pois as outras espécies não procuram defini-lo e logo, não “o” procuram, ponto final – mais nos separamos, ou… mais nos “desagregamos”… “dele”. Logo, menos “o” encontramos, mesmo quando alguns de nós acreditam saber “quem” é, “onde” está, e… que “está” connosco num dado momento, ou, até, sempre. Religiões. Formas, umas vezes confortáveis, outras nem tanto, ou antes pelo contrário, de explicar o que, afinal, não necessita de explicação.
O vislumbre, foi, é, de “Deus” como “integração”. Sim, um TODO. Chamem-lhe “universo”, se quiserem, ou não lhe chamem nada. Não importa. É, apenas. E… sim, parafraseando uma certa religião, que “lhe” outorga ou “nele” compreende os atributos da omnisciência, da omnipresença, e da omnipotência… “Deus” É assim – porque tudo integra e aglutina e por tudo é integrado e aglutinado. “Deus” não é fragmento, e, contudo, é-o, como parte do TODO – e É ambas as coisas em simultâneo. É Cristo, é Alá, é Buda, é Jeová, é o que não tem nome, sou eu, são vocês, é o meu cão, é aquela árvore, aquele vulcão, esta chuva, aquela pedra, aquele planeta, é o Tao, é buraco negro, é quasar, é tudo o que não é ainda porque não sabemos, é o nada, é um vírus, é a bactéria e o antibiótico que a combate, é um terramoto, é um extraterrestre, um espírito, é a morte de tudo o que nasce, é tudo e os opostos de tudo, é a energia presente em tudo o que é finito e logo, infinito, precisamente porque é energia.
É, também, o que nós formos – a guerra que desagrega, mas talvez ainda mais a paz que agrega porque nos agrega, integra. É a natureza e a harmonia, e, curiosamente, não é o afastamento das “leis” naturais para comodidade do homem em detrimento de outros homens e do resto. Não é a fartura nem o desperdício aqui, que causam a carência e a privação ali. É… a INTEGRAÇÃO – que havemos de atingir, com “ele”, quando deixarmos de o desintegrar, e nós e à natureza e a todas as demais espécies e ao tal “universo infinito” como temos feito… há milénios. É… a INTEGRAÇÃO dos fragmentos no TODO.
Chamem-me herética, alucinada, extravagante, não me chamem nada… não me importo. Nem quero saber se estou certa ou profundamente errada… não quero, senão, SENTIR. Ainda que tenha sido, ou seja, apenas… um vislumbre.
Se quiserem, chamem, a esse vislumbre… ABERTURA… sem ponto final.

~ Texto e Imagem – © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

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