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O movimento do(s) espaço(s)

* AGORA:
Faz-se, mais do que o faço, ao seu próprio ritmo, o meu "estar" neste Caderno. Um "estar" em movimento. Ou o movimento, não premeditado, natural, de "estar". Bom, seja o que... é, agora!

* OUTRAS COISAS EM QUIETO MOVIMENTO:
Entretanto, há, num outro espaço, traços de uma outra faceta. Alguns desses traços andam por aqui, à solta entre as palavras; outros... podem continuar a descobri-los, também soltos, em ArtFacets®.

Com beijos que respiram,

Alexandra

Caminho (Alexandrismo)

Dezembro 30, 2011

Não há caminhos fáceis que não tenham os seus trechos difíceis. Mas, fáceis ou difíceis, se são caminhos, são para se percorrerem. Com paragens aqui e além – porque é preciso descansar, mas também apreciar, tomar consciência dos aspectos que tornam cada trecho do caminho diferente, e, muitas vezes, único e irrepetível, ou repetível apenas na memória dos passos dados… que, se for activa, nos ajudará nos passos presentes, mas, se for passiva, eternizará a nossa paragem. E, se é caminho, é para se continuar.

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

Imagem: Pintura Chinesa – Autor Desconhecido

Diz, floresce… (Alexandrismo)

Dezembro 11, 2011

Diz, floresce… porque regas o NÃO, com tal zelo, e te matas de sede? Porque bebes, apenas, o pó, a aridez do solo de tantos outros NÃO, NÃO, e NÃO, enquanto, dentro de ti, flui, ignorado, um manancial inesgotável e esperam, insondadas, desatendidas, todas as sementes? Diz, floresce… basta um SIM… o teu!

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Imagem de autor desconhecido)

Bom dia! (Alexandrismo)

Novembro 17, 2011

Sigo por uma vereda calma de manhã. Sob os pés, pequenas ansiedades que cada passo, lento e firme, vai rompendo – com um som de geada que derrete. Dos olhos, para trás, vou gotejando fealdades – talvez medos, lidos, de relance, em outros olhos – tantos… – que acordam, sempre, na noite em que adormecem; feios medos que, adiante, nos olhos, os meus, bem despertos para as belezas – tantas…… – da vereda, se evaporam. Nos braços, que se elevam, a leveza de deixar que se vá, o peso do que era, no esquecimento do que foi – e nos dedos, o toque do que é… e trago aos lábios, que se abrem em sorriso, para que entrem, livremente, com o ar e com a luz, outros sorrisos… e se cruzem, na vereda calma de manhã, estas palavras simples: Bom dia!

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Imagem de Abril Andrade Griffith)

Ensaios (sempre) Inacabados I

Novembro 8, 2011

De repente – é sempre de repente que estas coisas acontecem – um vislumbre. Um reflexo, ou uma lembrança para além do tempo e do espaço, ou talvez um indício. Não importa o sinónimo. Importa o vislumbre, que foi de “Deus”. Dêem-lhe outro nome, se quiserem, não lhe dêem nome algum, se preferirem. O nome também não importa. E não sei se importa a alguém, este vislumbre, que foi meu, mas não é meu, pois nisto não há… propriedade, à falta de uma palavra melhor. Esqueçam tudo, excepto o vislumbre. Que ficou a reverberar, com tanto de luz como de som, num espaço ou estado de obscuridade e de silêncio… e depois apagou-se, ou calou-se, ou ambos, mas… permanece nesse estado, ou espaço.
Nunca acreditei no conceito da criação do homem à própria imagem de “Deus” – se é que se trata de uma questão de crença… o que não me parece. Talvez seja mais um sentimento, ou uma consciência… que não me deixam interiorizar este conceito, como se, de algures, não sei de onde, talvez do nada de onde tudo surge e vice-versa, algo me “dissesse” que este conceito não é correcto. Sinto que terá sido, antes, o homem que criou “Deus” à sua própria imagem, talvez por impossibilidade de conceptualizar algo que não tem forma nem dimensão definíveis, e apenas É, sem utilizar um, digamos, exemplo conhecido e palpável. Mais uma vez, porém, isto não importa, e mais uma vez, importa-me, sim, o vislumbre.
O vislumbre foi – e permanece – de que, quanto mais tentamos definir “Deus”, “departamentando-o”, fragmentando-o, e quanto mais “o” procuramos, fora ou dentro de nós, humanos – pois as outras espécies não procuram defini-lo e logo, não “o” procuram, ponto final – mais nos separamos, ou… mais nos “desagregamos”… “dele”. Logo, menos “o” encontramos, mesmo quando alguns de nós acreditam saber “quem” é, “onde” está, e… que “está” connosco num dado momento, ou, até, sempre. Religiões. Formas, umas vezes confortáveis, outras nem tanto, ou antes pelo contrário, de explicar o que, afinal, não necessita de explicação.
O vislumbre, foi, é, de “Deus” como “integração”. Sim, um TODO. Chamem-lhe “universo”, se quiserem, ou não lhe chamem nada. Não importa. É, apenas. E… sim, parafraseando uma certa religião, que “lhe” outorga ou “nele” compreende os atributos da omnisciência, da omnipresença, e da omnipotência… “Deus” É assim – porque tudo integra e aglutina e por tudo é integrado e aglutinado. “Deus” não é fragmento, e, contudo, é-o, como parte do TODO – e É ambas as coisas em simultâneo. É Cristo, é Alá, é Buda, é Jeová, é o que não tem nome, sou eu, são vocês, é o meu cão, é aquela árvore, aquele vulcão, esta chuva, aquela pedra, aquele planeta, é o Tao, é buraco negro, é quasar, é tudo o que não é ainda porque não sabemos, é o nada, é um vírus, é a bactéria e o antibiótico que a combate, é um terramoto, é um extraterrestre, um espírito, é a morte de tudo o que nasce, é tudo e os opostos de tudo, é a energia presente em tudo o que é finito e logo, infinito, precisamente porque é energia.
É, também, o que nós formos – a guerra que desagrega, mas talvez ainda mais a paz que agrega porque nos agrega, integra. É a natureza e a harmonia, e, curiosamente, não é o afastamento das “leis” naturais para comodidade do homem em detrimento de outros homens e do resto. Não é a fartura nem o desperdício aqui, que causam a carência e a privação ali. É… a INTEGRAÇÃO – que havemos de atingir, com “ele”, quando deixarmos de o desintegrar, e nós e à natureza e a todas as demais espécies e ao tal “universo infinito” como temos feito… há milénios. É… a INTEGRAÇÃO dos fragmentos no TODO.
Chamem-me herética, alucinada, extravagante, não me chamem nada… não me importo. Nem quero saber se estou certa ou profundamente errada… não quero, senão, SENTIR. Ainda que tenha sido, ou seja, apenas… um vislumbre.
Se quiserem, chamem, a esse vislumbre… ABERTURA… sem ponto final.

~ Texto e Imagem – © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

Alexandrismo

Agosto 7, 2011

A ilusão que, teimosamente, perdura há cerca de três milénios, de que a espécie humana sobrevive isoladamente, independentemente de todas as outras, dos ecossistemas em que todas estão integradas, da sua conservação e da respectiva biodiversidade… essa teimosia ilusoriamente coroada pelo conceito de superioridade, direito divino de primazia e domínio, de posse, e, até, de exclusividade em termos de inteligência… esse erro, crasso, mas, apesar disso – ou talvez por isso – obstinado em afirmar-se como axioma genético – ou genesíaco, logo, irrefutável – tudo isso acabará, um dia. Incluindo, naturalmente, a espécie humana.

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®)

(Imagem de ABC News)

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Liberdade (prato do dia)

Abril 25, 2011

Quem continuar a entender a liberdade como um prato “pronto a comer”, que, ainda por cima, compete e competirá sempre aos outros confeccionar e servir-lhe, continuará a “comer”, precisamente, o que os outros lhe derem… e a queixar-se, interminavelmente, da azia.

- Imagem de Dave Martsolf & texto © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

Alexandrismo sem espécie

Abril 22, 2011

“Caninamente e Humanamente são apenas advérbios… e como tal, nunca modificam um substantivo: SER.” – Alexandra Oliveira

Quem me dera poder semear, na tua consciência, um pequeníssimo grão, que fosse, da percepção do que transmite o olhar deste cão. Ali, então, da natural essência que te é, a ti e a ele, e a mim, comum – a essência de Ser Vivo – brotaria, fértil, alargado ao infinito, o reconhecimento, sem ervas daninhas de domínio ou de razão, do Ser que Sente – seja ele, em substância, humano… ou cão.

– Imagem (“Melga”) e texto © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

Janelas com vista para sons

Abril 18, 2011

O jardim abre-se-me, hoje, em janelas inefáveis. E reconheço poupas, um cuco, e um rouxinol, com todas as cores, matizes de penas, e sombras de asas em manchas de luz de ramos que não vejo, senão, pelo canto, entrando em catadupas. Pinto-os, em todos os sons. Mas, na última janela, estranhamente, pinta-se-me, apenas, o coachar ausente das rãs.

Imagem e Texto © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

Dias de vidro

Abril 8, 2011

Dias de vidro. De transparência, contendo, no entanto, o que, invisível, a enche, até à borda. Sim, dessa limpidez que, natural e igualmente, se embacia, com o frio, por vezes glacial, que cresce dentro, e o bafo quente, por vezes infernal, que vem de fora. Dias de vidro. De temperança temperados até à inércia da dureza, versátil e aparente. Sim, dessa erecta quase imunidade a destemperanças atiradas como pedras – que, quando muito, ao vandalismo de projécteis que razões insensíveis legitimam, opõe, ou não expõe … senão uma levíssima teia de fissuras. Dias de vidro. De impermeabilidade ao que os impregna, absurdamente, de vazio… desse vazio que um toque, em dedilhado equívoco de um sentido ausente, converte, aos ouvidos, em música cristalina. Dias de vidro. Que a noite esconde ao revelá-los frágeis, afinal – e quebra, no silêncio.

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Imagem de Aimea)

Alexandrismo (evasão improvável)

Abril 7, 2011

Tal como o dia demora, por vezes, a desembrulhar-se do nevoeiro que ilusoriamente lhe contém o despertar, agasalhando-o numa surdez tão apócrifa como balsâmica, e numa suspensão acolchoada da visão do que, não obstante, se solta – porque é fracção – do todo de si próprio… também o meu momento se demora, em certos dias, no resguardo improvável da fadiga do que foi. Como se fosse provável evadir-me de ser, para antes de mim própria…

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Imagem de “The Allknowing Fog”)

Alexandrismo (de viver vivendo)

Abril 5, 2011

Viver, habitando esse espaço, ou nós – que mais ou menos portas não terá do que os muros que, em torno dele, de nós, ou não, erguermos. Viver, pois, aberta e livremente. Viver, estando, sendo, plenamente. Sem que o fim importe mais do que o princípio – que mais não foi do fim senão princípio, e igualmente sem porquê. Viver, esquecendo o que lembrar como lição de vida, somente, vale a pena – e reviver, com gratidão, apenas o que, depois do esquecimento redentor, nos reste, liberto e vivo, na lembrança. Viver, amando. Amando o que se vive, e vivendo quem e o que se ama, inteiramente. Viver, enfim, vivendo – que tão complexa é a vida, enfim, como a vivermos, simplesmente.

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Imagem de Helen Janow)

Alexandrismo (da janela)

Março 28, 2011

Por entre o peso, cinza – chumbo, do céu baixo, a leveza triunfante das cerejas que serão, na brancura que é e que se eleva, pura. Ao lado, o ácer. Opondo ao vento, inquieto e rumoroso, a eloquência, calada e verde clara, da sua serenidade.

Texto & Imagem – © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

Ave e o momento

Março 21, 2011

Havia momentos assim, de arderem nos olhos e descerem, deliberados, como um trago de fumo, pela garganta. Até chegarem aos pés, fazendo-os saltar, como sobre brasas. Momentos de tentativa, com o sentido fixo, e até um pouco esgazeado, em frente, de voar – para algures, longe de toda aquela crepitação, tolhendo penas e cantos de igual forma, como se o horizonte, todo ele, estivesse encerrado num ovo e o ovo encerrasse, apenas, cinza. E no entanto, havia algo, nesses momentos, para além deles, e talvez lhes viesse de fora, através de pontos translúcidos na casca cega – ou talvez de dentro, de um núcleo primordial, que, através da viscosidade de lama abrasadora, sufocante, acendesse, no tempo, uma eclosão possível. Era preciso responder – e o sinónimo era a escolha, que iria tornar-se, no momento seguinte, conformidade ou contestação. Ou… ah, sim, ou outro caminho, que nem era resposta. E nem escolheu esse, quando ele, simplesmente, veio. O momento seguinte, que, a seu tempo, se tornou no momento que havia. Nasceu, então, liberta. E alçou voo, naturalmente. No chão, já longe, casca e cinza, sedimentos confundíveis e simples do que, naturalmente, já foi. E acima… nada, ainda, ou tudo, no ar confundível e simples do que, naturalmente, vai sendo, conforme se respira. Havia apenas aquele momento, agora. E nem se espantou que planasse, naturalmente, em perfeita harmonia, quando, olhos, garganta, pés, toda, mergulhou nele.

- Texto e imagem © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Em “Janelas para (algures) dentro” e “Ar” (Todos os direitos reservados)

Alexandrismo (Equinócio)

Março 21, 2011

Que te cheire, o dia, a frésias e a pele a sol, e na boca te pouse o gosto a cerejeiras em promessa. E que te cante, no sorriso, a alegria fecunda de todos os pássaros, como, nos teus passos, o seu voo. Feliz seja o teu AGORA, brotando Primavera!

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Imagem de Jenny Wunderly – “Frezias”)

Encontro com um lobo (ou Olhando-me no olhar de UM)

Fevereiro 5, 2011

Olho-te nos olhos; e a minha consciência desagrega -me, talvez, da nossa essência – se te sente como o medo que te sente e que me sentes. Mas é loquaz, o laconismo deste agora – e o silêncio agrega-nos a essência, no infinito da consciência de, aos meus olhos, seres lobo, e eu, aos teus, apenas ser… um ser que é, contigo, apenas o que é. E somos UM, de verdade, e em essência – quando, em silêncio, e já sem medo, se nos separam os olhares, e, agora, nós.

- © Alexandra Oliveira (OneLight*®) – Todos os direitos reservados

(Música – Mais uma composição de Armand Amar, retirada da banda sonora do filme “La jeune fille et les loups”)

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